O tesouro de uma Grande Basílica

É uma “biblioteca” cheia de histórias onde os livros dão lugar às obras de arte. Cristiano Cirillo abre-nos a porta da Basílica de São Pedro para nos revelar alguns dos seus tesouros.

Ao atravessar a primeira Porta Santa que o Papa abrirá na noite de Natal, entra-se num lugar maravilhoso, com cerca de 186,30 metros de comprimento. Gosto de imaginar a Basílica de São Pedro como uma ‘biblioteca’ cheia de história, não composta por livros, mas por estátuas e obras de arte de grande valor. A primeira grande obra é a ‘Pietà’ de Miguel Ângelo Buonarroti, uma obra extraordinária e cheia de espiritualidade, criada quando o artista tinha apenas 23 anos, uma obra-prima da arte. A Virgem, na sua imensa doçura, aceita resignadamente o destino do seu Filho e sabe que Ele irá salvar a Humanidade inteira.

Os vários túmulos aqui expostos são obras de arte em si mesmos. O mausoléu da Rainha Maria Cristina da Suécia, uma das três mulheres aqui sepultadas, juntamente com o de Matilda de Canossa e o da nobre Maria Clementina Sobienska, enriquecem este grande templo sagrado. Os túmulos de vários Papas, desde Inocêncio Cybo, o túmulo mais antigo da Basílica, até ao de São João Paulo II, são uma sucessão de acontecimentos que marcaram a história da humanidade. Grandes obras de artistas imortais, como o mosaico da Transfiguração de Rafael, as esculturas requintadas de Gian Lorenzo Bernini, como o revestimento da Cadeira de São Pedro, o monumento ao Papa Alexandre VII, o monumento ao Papa Clemente XIII de Antonio Canova e as pinturas de Cavalier d’Arpino fazem deste lugar, e tornam-o, um imenso tesouro histórico. Cada estátua e cada monumento representam aqui a magnificência e o poder dos Papas ao longo dos séculos.

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Mas, São Pedro tem também um tesouro, um pequeno museu no qual se pode admirar todo o mobiliário dos vários Papas, paramentos sagrados, cálices, presentes, alfaias e muito mais, incluindo o Galo de Ouro. Uma pequena curiosidade: o galo para a Igreja é um animal que sempre esteve associado aos valores da vigilância, da conversão e da esperança e à figura de São Pedro. Parece que a tradição de colocar um galo nas torres sineiras deriva do galo do Vaticano, que se encontra atualmente aqui, no Museu do Tesouro, mas que foi o original colocado na torre do sino da antiga basílica de São Pedro. Foi o Papa Leão IV que o mandou colocar, após o trágico saque/assalto de Roma pelos Sarracenos em 846, na torre sineira mais alta da cidade, para que fosse claramente visível mesmo de longe. A sua história é, no entanto, conturbada: em 1342 derreteu-se depois de ter sido atingida por um raio, tendo sido substituída no século XV por outra de dimensão imponente: a estátua de bronze tem mais de 70 centímetros de altura e pesa cerca de 46 quilos.

Todo este património artístico representa a grande devoção que os homens tiveram por Deus ao longo dos tempos, criando obras de extraordinária beleza, porque a arte leva à contemplação e através dela cria-se um diálogo orante com Deus.

Acompanhem-me, porque no próximo número, entraremos por outra Porta Santa, para descobrir os tesouros de outra Basílica… o Jubileu 2025 está mesmo ao virar da esquina…

Votos de Feliz Natal!!

                                                                                                                   Texto e fotos Cristiano Cirillo
circri22@gmail.com
Artigo da edição de dezembro de 2024 do Jornal da Família

 

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