(VI) – Padre Alves Brás – Cem anos de Sacerdócio em prol da Família

A par da Obra de apoio social à mulher e às famílias, o Pe. Alves Brás fundou, ao longo da sua vida, várias publicações, muitas delas que perduram até aos dias de hoje. O Jornal da Família é disso exemplo e completa, neste mês de janeiro, 65 anos de existência. Neste artigo, a Cooperadora Conceição Vieira inúmera os motivos que levaram o Pe. Brás a apostar na formação e informação através da imprensa escrita.

Na multifacetada ação social que desenvolveu, uma intuição pedagógica ganhou relevo na vida do Pe. Brás.  Este sacerdote viu a formação como meio de prevenção, qualificação e proteção. Para além de desenvolver as potencialidades e capacidades da pessoa, no pensar do Pe. Brás, a formação elevava a qualificação humana, espiritual, profissional e cívica. Uma pessoa bem formada e informada tem mais possibilidades de se proteger e defender de todo e qualquer atentado contra a sua dignidade; fica mais apta a conhecer e discernir quais os caminhos menos dignos; defende-se mais facilmente das ciladas, por vezes tão sedutoras e subtis, e consegue uma melhor integração e intervenção social.

A sua confiança e apreço nas potencialidades de uma sólida formação teórico/prática, ‘aguçou’ o seu ‘engenho’ para criar meios que facultassem a muitos o acesso a essa formação, meios a que só certas elites, da época, tinham acesso. A consciência da escassez de meios neste domínio, inquieta-o e por isso afirma: “Portugal há de vir a ser mais doutrinado, mercê deste pouco que generosamente lançamos por todas as vias de comunicação pelas cidades, vilas e aldeias” (Pe. Brás).
Fundou o Jornal a Voz das Criadas, em  março de 1934, mais tarde Bem-Fazer (atual suplemento do Jornal da Família), o Almanaque de Santa Zita, em 1941, entre outros subsídios e publicações de menor relevo e dimensão, mas não de menor impacto a nível da multifacetada ação por ele desenvolvida, com várias faixas etárias e classes sociais.

A imprensa escrita, como ele próprio o expressa, constituiu para ele uma arma poderosa que não se circunscreve à sua Obra, mas tem possibilidades de chegar bem mais longe: “Sabemos que a imprensa é uma arma poderosa. Pode ser de tragédia ou de salvação, consoante quem a usa(Pe. Brás). Para ele a boa imprensa é determinante na formação e transformação dos indivíduos e das sociedades, daí a urgente necessidade de a tornar mais acessível para que, através dela, se possa formar e informar, em maior escala. Não se cansava de incutir este espírito em todas as suas colaboradoras e colaboradores. Para ele, estes mesmos meios, serviriam para levar mais longe a sua Obra, atingir mais pessoas e entrar em mais lares.

No contacto direto com esses milhares de jovens raparigas que iam passando pela Obra de Santa Zita (OSZ), e com outras pessoas, o Pe. Brás constatava, com tristeza, mas também com espírito empreendedor, um elevado grau de iliteracia aos vários níveis; nessa constatação intui a grande carência de formação das Famílias, pois os filhos são reflexo daquilo que os pais lhes conseguem dar e transmitir.

Para colmatar esse vazio, lançou em 1960 o Jornal da Família com o propósito claro de informar, formar e instruir as famílias nas diferentes dimensões da sua vida, ação e missão, como ele afirma: “O Jornal da Família consagrando a sua existência a promover o bem da família, está a promover o bem da Igreja e da Sociedade” (Pe. Brás). Desejava que este fosse de apoio à economia familiar, aos seus deveres de pais e esposos; às dinâmicas relacionais entre os diferentes membros da Família e que veiculasse conteúdos de caráter moral, cívico e religioso, a fim de que os pais se pudessem formar e educar melhor os seus filhos. As suas iniciativas revelam sempre esta visão alargada e integradora das diferentes realidades.

Com 65 anos de idade, o Jornal da Família adaptou-se às plataformas digitais, mas continua a ser fiel aos seus assinantes que o continuam a receber na edição impressa.  Consciente de que é uma gota de areia, no ‘mar’ da panóplia dos meios de Comunicação Social atuais e das possibilidades que oferecem a todos, o Jornal da Família, quer continuar a dar o seu contributo para um mundo melhor, defendendo e sendo veículo dos valores da Família, em fidelidade aos seus critérios editoriais e em conformidade com as coordenadas socioculturais e eclesiais dos tempos atuais e da realidade familiar, como era desejo do seu Fundador: “Em coro com todas as pessoas de bem quer estar o Jornal da Família para que, dentro das suas possibilidades, coopere e colabore para um Mundo Melhor(Pe. Brás). Continua a ser um meio, entre outros, de realização do Carisma das Cooperadoras da Família.

E como diz o ditado, não há acasos, os 65 anos deste órgão acontecem dentro do jubileu (100 anos) da Ordenação Sacerdotal do seu Fundador, trata-se de uma coincidência maravilhosa a relembrar e a ressaltar.

Conceição Vieira
Artigo da edição de janeiro de 2025 do Jornal da Família

Foto: Arquivo ISCF

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Retalhos de amor que dão vida

No Centro de Cooperação Familiar | Lar Betânia, em Fátima, as marchas dos Santos Populares não são apenas uma festa: são um encontro de memórias e afetos que continuam a dar vida aos dias. Este ano, sob o lema “Vidas com História – Retalhos de Amor”, os utentes desfilaram no espaço exterior da instituição levando consigo meses de dedicação, figurinos feitos em conjunto e, sobretudo, pedaços das suas próprias histórias. São fragmentos de coragem, perdas, fé e superação que emocionaram colaboradores e famílias.

Ler Mais >>

Férias com afetos

As férias passam depressa, mas aquilo que vivemos em família permanece. Neste verão, queremos mais do que destinos e fotografias: queremos pais e filhos juntos, presentes, atentos uns aos outros, a criar memórias que o tempo não apaga. Porque as melhores férias são sempre as que fortalecem o afeto que nos une.

Ler Mais >>

A Santa Sé perante a crise do multilateralismo

Num tempo em que o multilateralismo parece perder fôlego perante a fragmentação global, Murillo Missaci propõe uma leitura do papel da Santa Sé na diplomacia contemporânea. Sem depender de poder económico ou militar, o Vaticano mantém-se como voz de diálogo e de equilíbrio, recordando que a credibilidade das instituições internacionais nasce da fidelidade à pessoa humana e da perseverança na cooperação.

Ler Mais >>

A secularidade consagrada refrescada pela ‘Magnifica Humanitas’ de Leão XIV

A secularidade consagrada ganha hoje um novo fôlego, iluminada pela visão humanista e missionária da ‘Magnifica Humanitas’. Num tempo marcado pela busca de sentido, pela necessidade de diálogo e pela urgência de reconstruir vínculos humanos, os consagrados seculares surgem como testemunhas de uma Igreja que se faz próxima e que assume a missão de humanizar cada espaço onde a vida acontece.

Ler Mais >>

Livros e leituras

A leitura acompanha Juan Ambrosio no trabalho e na vida, mas ganha novo sentido nos momentos partilhados com o neto. Entre livros que alargam o pensamento e histórias que despertam a imaginação, Juan Ambrosio sublinha a importância de criar nas crianças o gosto pelos livros.

Ler Mais >>