A pedagogia do “não” e o contributo para um crescimento melhor

Saber dizer “não” é um grande desafio para pais e educadores, mas pode dar um grande contributo na tarefa educativa de crianças e jovens. Saiba como no artigo deste mês de Goretti Valente sobre a pedagogia do “não”.

As circunstâncias do mundo em que vivemos leva-nos a pensar o quão importante é um “não” para a educação das crianças e dos jovens. Em sociedade precisamos de saber viver com regras e limites. Estas duas ideias básicas e fundamentais devem ser ensinadas e apreendidas desde bem cedo como forma de preparação de adultos saudáveis, responsáveis e capazes de enfrentar as dificuldades da vida.

Compreendemos perfeitamente que a tarefa de educar não é fácil para pais e educadores. Contrariar, impedir ou rejeitar são consideradas palavras proibidas, pois as melhores, para criarem clivagens, mal-entendidos, mau ambiente familiar ou escolar. No entanto, estabelecer limites e regras é fundamental na formação de pessoas autónomas, resilientes e capazes de se adaptarem às diversas situações que a vida vai proporcionar. Piaget diz mesmo que um “não” pode ser um grande promotor das aprendizagens, uma vez que proporciona momentos de questionamento, reflexão, crescimento e mesmo criatividade na resolução de problemas.

Saber dizer “não” é um desafio para todos pela limitação que esta palavra pode deixar transparecer, mas quando utilizada com um intuito formativo pode evitar grandes problemas à família, escolas e ao mundo. Mostrar que na vida nem tudo se baseia em facilidades e que muitos obstáculos são precisos transpor e que há que estar preparado para todos estes constrangimentos é falar verdade, é conquistar a confiança da criança e do jovem, porque efetivamente, é o mundo real.

Muitos jovens e crianças em idade escolar têm muita dificuldade em aceitar um “não” esclarecido. Revoltam-se, desanimam, ameaçam, e sofrem, porque nunca lhes foi explicado que existem regras e limites para vivermos em paz e crescermos com responsabilidade.

Com bom senso, educação, e num verdadeiro ato de amor, aprendamos a saber dizer “não” nos momentos certos e explicar porquê. Dizer “não”, não pode ser entendido como uma forma de contrariar por contrariar ou marcar uma posição autoritária, mas sim o mostrar um caminho melhor.

As famílias, as escolas e o mundo vão agradecer a formação de gente boa.

Força Pais e Educadores.

Goretti Valente
Artigo da edição de março de 2025 do Jornal da Família

Imagem ilustrativa: Pexels

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