Em Roma, em família

Não é todos os dias que se celebram 30 anos de matrimónio, nem todos os dias que se tem um encontro com o Papa. Murillo Missaci conta-nos a história.

Há dias que têm o poder de paralisar o tempo e nos lembrar do que realmente sustenta a nossa caminhada. Recentemente, tive a alegria de receber os meus pais em Roma, que vieram para comemorar os 30 anos de matrimónio e para conhecer a cidade em que vivo.

Acredito que, tanto para mim quanto para eles, o momento mais marcante dessa visita à Cidade Eterna foi um breve encontro que tivemos a honra de ter com o Santo Padre na Praça de São Pedro, logo após a Audiência Geral de uma belíssima quarta-feira de abril. Encontrar-se com o Papa Leão XIV é sempre um momento único; transmite-nos serenidade e alegria, porque é como um abraço caloroso de Deus que reforça a nossa fé e contrasta com a nossa rotina acelerada à qual muitas vezes estamos acostumados.

Eles ficaram muito contentes por conhecer Roma e o Vaticano, e profundamente gratos por terem sido acolhidos com tanta amizade e fraternidade pelas Cooperadoras Lúcia e Margarida. Ficaram encantados também com a beleza da Igreja de Santo António dos Portugueses, o “centro” da nossa comunidade em Roma, que recebe e acolhe todos sempre de maneira muito especial. Isso é também um testemunho vivo de que, mesmo longe de casa, nunca estamos verdadeiramente sozinhos quando fazemos parte de uma comunidade fraterna: para os meus pais, conhecer Roma e as pessoas e lugares que fazem parte da minha vida foi muito confortante.

O tempo que passamos junto da família grava-nos sempre uma certeza: as cidades mudam, os cenários passam, mas a família permanece como o nosso porto seguro. É ela, principalmente, que celebra as nossas vitórias e que divide os nossos pesos. É exatamente aí que está a sua verdadeira importância: ser o elo que nos mantém firmes, não importa a distância, e a base que nos permite viver e partilhar momentos tão especiais.

Murillo Missaci
missacimb@gmail.com
Artigo da edição de junho de 2026 do Jornal da Família

Foto: Vatican Media

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

A Grandeza da Pessoa Humana

A ‘Magnifca Humanitas’ convoca-nos para a “apaixonante missão de dar forma ao nosso tempo”, afirma Juan Ambrosio na análise que faz da primeira Encíclica do Papa Leão XIV. Para o professor de teologia da Universidade Católica Portuguesa o documento papal convida-nos a construir uma história onde “a dignidade de cada pessoa seja salvaguardada, a justiça seja promovida e a fraternidade seja possibilitada”, onde “o progresso deve estar ao serviço da pessoa e nunca contra ela”.

Ler Mais >>

A secularidade consagrada vivida no coração do mundo secularizado como presença da Igreja sinodal

Num tempo em que a fé parece afastar-se do espaço público, a secularidade consagrada emerge como um sinal discreto da presença da Igreja no coração da sociedade. Vivendo plenamente inseridos nos ambientes profissionais, culturais e familiares, os consagrados seculares tornam visível uma Igreja sinodal que escuta, dialoga e participa ativamente na construção de um mundo mais humano.

Ler Mais >>

O que não cresce, decresce

Entre a paixão inicial e o compromisso maduro, o matrimónio só floresce quando cresce: exige tempo, renúncia e persistência. Como recorda Furtado Fernandes, “o que não cresce, decresce” e amar é sempre obra em construção do “nós”.

Ler Mais >>