Fé católica e saúde mental

Como pode a Igreja dar o seu contributo para a saúde mental. O tema é trazido a reflexão por Murillo Missaci no contexto da sinodalidade que aposta numa Igreja que caminha com todos.

A relação entre a Igreja e a saúde mental é um tema de grande relevância, especialmente considerando o papel central que a fé e a espiritualidade desempenham na vida de cada um de nós. A Igreja, com a sua longa tradição de apoio espiritual e comunitário, pode influenciar positivamente a saúde mental dos seus fiéis de várias maneiras. A participação em celebrações litúrgicas, grupos de oração e outros eventos comunitários pode proporcionar um sentido de pertença e apoio social. Esses aspetos são cruciais para o bem-estar emocional, pois ajudam a reduzir sentimentos de isolamento e solidão. Além disso, a fé católica oferece um sentido de propósito e significado na vida, o que pode ser particularmente benéfico em momentos de crise ou sofrimento.

A Igreja também promove práticas que podem contribuir para a saúde mental, como a meditação e a oração. Essas práticas podem ajudar a reduzir o stress e a ansiedade, promovendo um estado de calma e reflexão. A confissão, por exemplo, pode ser vista como uma forma de terapia, onde os indivíduos têm a oportunidade de expressar os seus sentimentos e buscar orientação espiritual. Muitas instituições católicas oferecem serviços de aconselhamento e apoio psicológico, integrando a fé com práticas terapêuticas modernas. Esse enfoque holístico pode ser particularmente eficaz, pois considera o indivíduo na sua totalidade – corpo, mente e espírito.

No entanto, é importante reconhecer que a relação entre a Igreja Católica e a saúde mental pode ser complexa. Nalguns casos, interpretações rígidas de doutrinas religiosas podem levar a sentimentos de culpa ou vergonha, especialmente se os indivíduos sentirem que não estão vivendo de acordo com os ensinamentos da Igreja. Neste sentido, a sinodalidade como proposta pelo Papa Francisco é fundamental, pois valoriza a escuta e a colaboração de todos os membros da Igreja, em especial os mais vulneráveis, pondo atenção na saúde mental também. O Santo Padre acredita que ela deva ser abordada com sensibilidade e compaixão, promovendo o acolhimento e a proximidade, e integrando ciência e solidariedade cristã para ajudar especialmente aqueles que sofrem de stress, depressão e outras condições psicológicas, que se tornam cada vez mais frequentes e comuns nos nossos dias.

Portanto, podemos mais uma vez envolver a sinodalidade à nossa vida cotidiana, contribuindo para construir e fortalecer uma Igreja que caminha com todos.

 Murillo Missaci
missacimb@gmail.com

Artigo da edição de outubro de 2024 do Jornal da Família

Imagem ilustrativa: Pexels

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